A
estação de criação é para
os criadores uma fonte de questões e também de
problemas. Eis aqui alguns deles referentes aos ovos
e aos filhotes no ninho.
O
que fazer com os ovos claros?
É normalmente por volta do sexto dia que o criador observa se os ovos
estão fecundados. Quando não estão, são chamados
de "claros". Deve-se então retirá-los?
Sim, se todos estiverem claros. A fêmea fará então uma
outra postura: postura de substituição.
Certos casais, contudo, são capazes de identificar ovos claros. Podem
até expulsá-los do ninho. Porém a maior parte dos casais
não fazem isso. Assim, retirando-se esses ovos evita-se que a fêmea
se desgaste por uma incubação inútil. Também ganha-se
tempo. É interessante que o criador conserve cuidadosamente um ou dois
ovos claros. Podem servir para um outro ninho. Deve-se juntar um ovo claro
a uma ninhada pouco abundante de pequenos pássaros.
O ovo claro evita que os filhotes novos sejam esmagados acidentalmente. Num
ninho, vazio, o ovo claro pode estimular a postura ou, como se verá,
constatando-se se um casal não come os ovos. Se numa postura ocorreu
apenas um ovo claro, estando os outros fecundados, deve-se então deixá-lo.
Ovo
rachado e ovo furado.
Se um ovo acidentalmente rachado, é possível conservá-lo
usando-se cola ou gesso com um pincel. Geralmente, porém, este ovo gora
pela contaminação com micróbios. Quando um ovo está furado,
isto geralmente acontece devido às unhas muito pontiagudas dos pais.
Esse ovo não se desenvolverá. É muito raro que o ovo seja
furado por uma bicada; o furo seria muito maior e, frequentemente, quando isso
ocorre, o ovo é comido pelos pais. É necessário observar
para que as unhas não fiquem afiadas e, se necessário, deve-se
cortar suas pontas com tesoura.
É preciso
retirar-se os ovos e depois retorna-los ao ninho?
Muitos
criadores retiram os ovos que vão sendo postos até o
terceiro para então, devolvê-los juntos ao ninho.
Os ovos retirados são colocados sobre algodão ou
painço e diariamente revirados para se evitar que o embrião
cole na casca. Eles fazem isso para conseguir uma eclosão
agrupada. É que, frequentemente, o filhote nascido por último
fica menor e, assim, essa demora de crescimento pode levar ao
abandono pelos pais e à morte. A morte de um filhote pode
prejudicar a totalidade deles se o cadáver não for
removido.
Os ovos são postos isoladamente: um ovo por dia, e dois dias podem separar
o primeiro do segundo ovo. Portanto, as eclosões são agrupadas.
Ela pode ocorrer num mesmo dia ou dois dias somente. Na galinha, vinte pintainhos
podem eclodir ao mesmo tempo.
Experiências têm mostrado que a fêmea move os ovos regularmente.
Isso pode ser verificado pela marcação suave com um lápis.
Deslocando-se os ovos ela permite uma incubação regular: os ovos
situados na periferia recebem menos calor que aqueles do centro do ninho o
que poderia acarretar uma demora no seu desenvolvimento. A fêmea muda
então os ovos do centro para a periferia e vice-versa. Alguns casais
de aves parecem poder avaliar o grau de desenvolvimento do embrião,
seja pelo equilíbrio do ovo, seja pelos primeiros gritos dos filhotes
prestes a nascerem. A movimentação dos ovos pode ser necessária
quando a ninhada chega de 4 a 6 ovos ou mais. Ela tem a finalidade de assegurar
a eclosão agrupada. No ovo, o futuro embrião fica admiravelmente
suspenso, de tal modo que esteja no alto, sobre a gema. Em seguida as ligações
embrionárias protegem o embrião e o sustentam. O embrião
pode correr o risco de colar na casca. Num ovo gorado pode-se observar um embrião
imperfeito, colado na casca; isto ocorre após a morte do embrião.
Ela pode ser acidental (resfriamento), genética (tara) ou microbiana.
Os
recém-nascidos jogados para fora do ninho.
A
eclosão geralmente ocorre pela manhã e é quando
o criador encontra 1 ou 2 filhotes fora do ninho, já frios.
Se eles ainda se movem, pode-se aquecê-los com um bafejo
antes de retorná-los ao ninho. Porém deve-se ter
mais atenção e revê-los sempre, pois correm
o risco de serem novamente jogados para fora.
Aí surge uma dúvida; foi acidente ou foi acto voluntário?
A confirmação do ato voluntário é dada por pequenas
feridas produzidas pelo bico do pai que expulsou os filhotes, geralmente causadas
numa pata ou asa do filhote. Quando isso acontece, pode-se colocar os filhotes
no ninho de um outro casal, onde geralmente são bem acolhidos quando
nesse novo ninho existem filhotes de idade semelhante. Se os filhotes são
recolocados com a mãe, é conveniente retirar-se o macho. Geralmente
o macho é o culpado. Para ele, os filhotes no meio dos ovos não
eclodidos são tomados como intrusos ou corpos estranhos que precisam
ser retirados. Durante a incubação e na semana subsequente os
pais vigiam atentamente a limpeza do ninho. É raro que todos os filhotes
sejam expulsos; eles não o são quando fica ainda um ou dois ovos
no ninho, após sua eclosão.
O
número óptimo de filhotes.
Quando
existem muitos filhotes num ninho raramente eles se desenvolvem
convenientemente. Frequentemente um fica mais atrasado,
seja o último
a nascer, seja uma mutante. Toda a ninhada pode ter seu desenvolvimento
retardado porque os pais não conseguem satisfazer a todos
os filhotes. Ao contrário, se a ninhada é de apenas
um filhote, ela arrisca ser abandonada pelos pais quando desejam
recomeçar uma nova ninhada. Existe um número óptimo
de filhotes. Ele depende das aves. Para os canários e pequenos
exóticos é de três filhotes, raramente quatro.
Dessa forma tem-se maiores chances de obter-se pássaros
grandes. A procura dos filhotes pelo alimento é muito importante
para estimular os pais, mas não deve ser excessiva e, por
conseguinte, para que todos os filhotes sejam bem nutridos. É interessante
que o criador equilibre as ninhadas, às vezes removendo
um ou dois filhotes. Se eles não estiverem anilhados, pode-se
marcá-los com um hidrocor. Quando começarem a emplumar
fica fácil de identifica-los. Salvo quando houver necessidade,
não se deve provocar a saída dos filhotes do ninho. É preciso
que saiam por si só. Se forçarmos a saída
deles, ficarão mais selvagens, mais tímidos. Ficando
mais tempo no ninho, sentem-se mais seguros. É possível
que anomalias de comportamento sejam provenientes de uma "má saída" do
ninho.
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